quinta-feira, 18 de julho de 2013

OS NOSSOS PONTOS NOS IS


espreguicei-me

tropecei em ti

corri

descobriste-me no meio da multidão

revirei os olhos
sorri


esperei o momento (in)certo
agarrei no teu braço e desatámos a correr
fugimos
caí



às tantas as palavras não nos chegaram
e aconchegámo-nos como duas metades
colámo-nos devagar e depressa
escorregámos até ao chão
enrubesci



e abri os meus olhos
e tu mergulhaste neles 
desculpando-te que fazem lembrar o infinito
mordi

neste intervalo acusei o medo

insististe em provocar-me
estremeci

olhei-me no espelho que nos testemunhou

renasci

renovaste-me

sexta-feira, 12 de julho de 2013

CATREFADAS DE NADA.........


Uma catrefada de [des]ILUSÕES
Uma vida cheia de ansejos
Uma cabeça sobrelotada de desejos
Um coração transbordante de sonhos
e as mãos?
 sem tanto poderem agarrar ou largar

Uma catrefada de [in]RAZÕES
Um caderno pintado de anotações
Um cérebro cansado de pensamentos
Uma alma demissionária de vida
e os pés?
 cambaleantes sem poderem avançar ou parar

Uma catrefada de [a]MORALISMOS
Uma consciência afónica de tanto gritar
Uma boca retraída pelas vozes falsas
Um corpo seco pelas hemorrogias do infortúnio
e os olhos?
 fechados por não deslumbrarem um horizonte

e toca… 
e caminha… 
e vê… 
e não lhe basta!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

HOJE, de um passado presente por viver


Hoje acordei com a cabeça noutra cama!
Tacteei os lençóis, húmidos
Abri os olhos
[e… não tinha saído deste lugar]

Hoje não estavas dentro de mim!
Revirei as artérias, redobradas
Fechei os olhos
[e … senti a lava quente nas minhas pernas]

Hoje fugi desta cidade amarela!
Passou por mim o alcatrão viscoso
Iniciei a marcha
[e… o meu corpo ainda estava envelopado no teu]

Hoje procurei o cálice no âmago da vontade!
Os vidros sulcaram luxúrias neste ventre
Revivi cada passo
[e… caíram-me aos pés os nossos anéis, ensopados]

Hoje esqueci de me regressar!
os arquivos esfumaram-se entre os folhos das horas
energizei esta viagem e segurei o punho da mala

[e… fiquei… pelo que ainda não lhes escrevi]

quinta-feira, 20 de junho de 2013

felizices e ressurreirices

noticia-se sacanices perpetuadas em sinapses infelizentes
puxados os ventos que trancaram os pores de sol vermelhos
chegam quietos os flocos de conversa fiadante

nem mais um minuto de criatividade, e
nem mais uma linha para perfurar a casca ignorante da nulidade

limpiante

pilhados os tesoiros tiquetados quando mal despontavam
agarrados os cabelos, finos, como xisto, lisos e podres
emaranhados nos outros, dourados, falecentes, perpetuando a agonia

encerra-se um livro sem ser lido o final que falta escritadar
ainda?

ocante
pobrecente

brilhos multicores envolvem o círculo e afogam em risadices
forçadas
sentidas
a bolsa de sangue fresco que não desistiu, apesar de tudo, de ressurreirar

resistesice afiante!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

~~§~ ATÍPICA ~§~~



escrevi-me de vida,
 de momentos percorridos 
nas distâncias íntimas
com a voracidade inanimada da fome,
na procura de reservas profícuas
e,
exposta ao desafio,
devoraram-me por muito e quase nada!


sobrevoaram olhares sobre este nado-atípico,
ímpar reflexo de ser,
em pensamentos masturbados por sons da vida,
forçados ou libertadores e 
vividos em espasmos,
respigaram-me do silêncio desiludido
e
semearam-me na planície despida!
procuraram no legado das renúncias
e 
no verso das folhas cortadas,
até chegarem ao ser marcado na íris


num momento solto escutei esse olhar
emergido num instante reencontrado.
redimi-me ao senti-lo chegar
e
preencheu o atípico lugar despido, vivo.
vagueou no preâmbulo ainda inconsciente
e
flutuámos em danças lunares

mas
num registo derrocador
subiu neblina cerrada
a cegar este azul anilado,
e... 
escalpei o meu ventre, 
que pariu um eco profundo,
raspado dos ventrículos purpúreos.
agarrei-me com os dedos gelados 
na iminência do impacto irreversível  
e
no momento vertiginoso,
resgataste-me do remoinho incessante, 
consumidor de voz
e 
permiti-me respirar
persistência por um sonho,
este sonho
e
por mais momentos... 
atípicos!

.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O VOO DAS MARIPOSAS


Naquele dia de primavera 
as Mariposas voavam 
e prenderam-se nos meus cabelos

Salpicaram de cores os meus olhos 
e desapareceram sob a minha pele
Senti o seu bater de asas pelo meu corpo
aceleraram o pulsar do meu coração

E como num primeiro voo, 
a inexperiência atrapalhou as acrobacias
E um dia as mariposas, moribundas, 
estavam prestes a desistir,
não viam o céu, só soturna escuridão…

A tempestade amainou 
e veio uma brisa de palavras, 
um calor de sol falado
E pela minha pele translúcida 
as mariposas moribundas escutaram aquele calor
Reanimaram-se num suspiro profundo

E hoje voltei a sentir 
o veludo das suas asas coloridas a abrir, suavemente, como q a medo…
Fez-se um breve silêncio, 
depois um alvoroço dentro do meu corpo

- As borboletas não morreram! Voltaram a voar

E as suas cores voltaram a pintar 
o céu da minha boca

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MEL e MALAGUETAS



Na noite
que me dispo e te mancho da minha pele
Transfusão de sentimentos, de desejos e vaidades
E corremos no mesmo lugar, para a mesma meta, 
para um sempre iniciar de vida

Durante a noite
misturo mel e malaguetas
Mastigamos bagas venenosas se assim se quer a paixão
E subimos em uníssono na música que se toca nos nossos instrumentos

Vem a madrugada
e os teus abraços não escasseiam
Beijos em meio de sonhos, beijos de boca e de pele
E remexemos o nosso espaço de estreia e de vontades, ocupamos um só lugar

Nasce outro dia,
mais um dia, acrescenta-se mais um acordar
És tu que me seguras, me abanas e me acicatas nesta existência incipiente
E por cada dia mais, por cada pulsação mais, por cada aventura mais, vamos envolvendo nestes dias as nossas vidas!